Tive a honra de entrevistá-lo em mais de uma ocasião, encontros que se transformaram em verdadeiras aulas de vida e de arte. Guardo especialmente na memória as conversas que tivemos em Vicenza, em meio à arquitetura palladiana que ele tanto admirava, e também a experiência intensa e generosa que vivi com ele durante as filmagens do documentário em Watermill, na fundação que ele criou e que espelhava sua maneira única de pensar, criar e viver.
Ele foi claro, ainda em vida, ao deixar dito que essas entrevistas e esse documentário poderiam ficar na fundação como parte de sua herança viva. E é com respeito e gratidão que reconheço esse gesto de confiança. Saber que esse material ficará ali, acessível, me consola hoje, pois sei que ajuda a manter viva a chama do seu pensamento e da sua prática.
Bob Wilson foi um artista do tempo, da luz, do gesto e do silêncio. Mas acima de tudo, foi alguém que soube ouvir e ensinar a ouvir.
Hoje o teatro perde uma das suas vozes mais singulares. Eu perco um mestre.
