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O PAVILHÃO DOS EUA E O GESTO DE PEDIR

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Quando a Arte Pede Ajuda: o Caso do Pavilhão dos EUA em Veneza

Serena Ucelli di Nemi

O pavilhão dos Estados Unidos, organizado pela American Arts Conservancy, surge envolto em controvérsia institucional, curatorial e, sobretudo, financeira.

A Seleção

Em algum momento do processo, apareceu o nome de Alma Allen, o que gerou ruído

A seleção foi marcada por um processo conturbado: a proposta originalmente vencedora, do artista Robert Lazzarini, foi retirada, e o longo shutdown do governo americano (43 dias) atrasou ainda mais o anúncio de um substituto.

Nascido no Utah e radicado no México, Allen é internacionalmente reconhecido por esculturas que combinam imediatismo gestual, artesanato refinado e inovação de materiais em bronze, mármore, madeira, pedra e materiais fundidos. Ele é o primeiro artista autodidata a representar o Pavilhão dos EUA na Bienal de Veneza

UM ESPELHO DO MAL-ESTAR

A Bienal do Mal-Estar: do Júri que Caiu ao Pavilhão que Pede

Dias antes, escrevi sobre o júri que se desfez. Um gesto raro, quase impensável, que parecia menos um episódio isolado e mais um sintoma

Talvez esta edição da Bienal funcione menos como vitrine e mais como espelho.

Espelho de instituições tensionadas, de decisões que vacilam, de estruturas que já não operam com a mesma segurança de antes.


O PAVILHÃO QUE PEDE

O pavilhão dos Estados Unidos.

O contexto

A American Arts Conservancy (AAC), a organização que administra o pavilhão, abriu para coletar online pedindo doações, com pedidos a partir de US$ 100 para apoiar a presença artística dos EUA.

A situação

O pavilhão, que apresenta esculturas de Alma Allen, enfrentou uma escassez de fundos de grandes fundações, levando a essa demanda pública incomum.

Photo by Alma Allen

ENTRE A OBRA E A NECESSIDADE

Não é incomum que pavilhões dependam de apoio privado. Mas aqui, o gesto se torna mais exposto.

Mais direto.
Menos filtrado.

A abertura para doações públicas aproxima o pavilhão de uma lógica inesperada, quase como se, por um momento, ele deixasse de representar apenas uma nação para revelar a fragilidade de sua própria sustentação.

E talvez seja por isso que, ao caminhar por Veneza, a sensação não seja apenas estética.

Mas profundamente política

https://news.artnet.com/app/news-upload/2025/11/venice-biennale-60th-2024-main-pavillion-1024×683.jpg

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