
61a Biennale di Venezia – Esposizione di Arte
Adriana Varejão não está sozinha, ela divide o Pavilhão do Brasil com a Rosana Paulino, numa exposição chamada “Comigo ninguém pode”, com curadoria da Diane Lima.
Brasil como corpo em transformação
Uma leitura interessante:
Varejão mostra o Brasil não como algo fixo, mas como um corpo que:
– sofre
– se transforma
– se reinventa
A ferida colonial
Em “Comigo ninguém pode”, mostra dividida com Rosana Paulino e com curadoria de Diane Lima, Varejão retorna ao território que transformou em assinatura, a ferida colonial. Mas agora ela parece menos interessada em ilustrar a violência e mais em expor sua permanência. Como um organismo antigo que nunca cicatrizou completamente.
Diane Lima curadora de arte, escritora e pesquisadora brasileira
A exposição “Comigo ninguém pode” propõe um diálogo inédito entre Rosana Paulino e Adriana Varejão, explorando relações entre natureza, espiritualidade e as transformações do corpo e da nação.
O Pavilhão Brasileiro se baseia nessas ambiguidades como uma metáfora para proteção, toxicidade e resiliência.
O projeto parte das camadas que envolvem a planta popularmente conhecida como comigo-ninguém-pode, que, por sua toxicidade, passou a ser vista como um símbolo de força e resistência, além de sua representação para as religiões de matriz africana, para proteção espiritual e afastamento de inveja e mau-olhado.
Um curto-circuito perfeito:
Barroco, carne, colonização, religião, erotismo e ruína coexistem no mesmo espaço. Nada ali é puro. Tudo é mistura, contaminação, sobrevivência.
Rosana Paulino (São Paulo, 1967) é uma das vozes mais influentes da arte contemporânea brasileira, conhecida por sua pesquisa profunda sobre as feridas coloniais e a construção da identidade negra, especialmente da mulher negra. Sua obra utiliza a técnica da sutura e costura como metáfora para o trauma e a reconstrução de memórias silenciadas pela escravidão.
e Adriana Varejão
Azulejos portugueses aparecem como pele falsa.
Superfícies elegantes escondem cortes, vísceras, rachaduras. A beleza funciona quase como armadilha: primeiro seduz, depois revela o trauma.
E talvez seja justamente isso que torna o trabalho tão poderoso em Veneza. Porque Veneza entende de superfície. Entende de decadência ornamentada. Entende de impérios construídos sobre água e memória.
Varejão parece dizer que o Brasil não chega a Veneza como nação pacificada. Chega como corpo vivo. Um corpo ferido, híbrido, sensual, contraditório. Um corpo que carrega marcas profundas da história mas que ainda pulsa.
E pulsa forte.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosana_Paulino

