
Ah, a enshittification, um termo brutal, mas engenhoso, inventado pelo escritor e ativista digital Cory Doctorow. É uma palavra-híbrida formada por “mxxda” (shit) e -ification (o processo de se tornar algo).
Resumindo:
é o processo pelo qual as plataformas digitais se deterioram deliberadamente ao longo do tempo.

Influenciado por: William Gibson, George Orwell, Isaac Asimov
Um dia, a internet foi linda.
Um espaço livre, promissor, meio bagunçado, mas nosso.
A gente postava, criava, compartilhava e o mundo parecia uma janela aberta.
Lembra quando a gente se perguntava como podia ser tudo de graça?
A resposta sempre esteve lá, escondida em letras miúdas:
nós nunca fomos os clientes, éramos o produto.
Mas aí as plataformas descobriram o truque mais antigo do mundo digital:
“Primeiro, damos tudo de graça. Depois…
Cory Doctorow chamou esse feitiço de enshittification, o processo em que uma plataforma, lentamente, vai virando uma mexxa (com todo o mérito do termo).

Cory Doctorow, jornalista, escritor canadense : Obras destacadas: Down and Out in the Magic Kingdom, Pequeno Irmão
funciona assim:
1. No começo, a plataforma é feita para você.
2. Depois, é feita para os anunciantes.
3. E no final, nem você nem as marcas importam, só o algoritmo e o lucro de curtíssimo prazo.
Vc concorda?
O ciclo é sempre o mesmo:
Te encantam, te viciam, te exploram, te exaurem.
E quando você acorda, a festa acabou, mas o seu conteúdo ainda está lá, servindo ao algoritmo.
Eu acho que :
O problema é que a enshittification não é um bug, é o modelo de negócio.
A extração de valor é o motor.
O usuário é o minério.
Mas há algo que o algoritmo não entende:
autenticidade não é escalável.
E é justamente isso que começa a faltar em todas as plataformas, alma, intenção, verdade.
Talvez o próximo passo não seja “criar mais conteúdo”, mas reaprender a existir fora das grades digitais.
O verdadeiro Luxo
Porque se tudo está virando enshittification, talvez o verdadeiro luxo seja o silêncio, ou uma ideia que não precise de “engajamento” para existir.
O olhar de fora da máquina
Talvez a lucidez hoje seja isso:
olhar para a máquina, sorrir,
e escolher não dançar conforme o algoritmo.
.O paradoxo do espelho digital
As plataformas queriam refletir o mundo
mas acabaram nos transformando em reflexos.
Talvez o futuro seja reaprender a ser corpo,
não apenas imagem.
O antídoto da presença
Enquanto tudo se torna ruído,
a atenção vira um ato de resistência.
Estar verdadeiramente presente,
talvez, seja o único gesto radical que restou.

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