
Adeus, Ano Velho! Agradeço tudo que você fez por mim; todas as coisas que me proporcionou foram únicas e inesquecíveis. Mas chegou o momento da despedida porque um Novo Ano está quase a chegar….
Ser jornalista internacional é viver em estado de escuta permanente.
É atravessar fronteiras.
É traduzir culturas, silêncios, gestos.

O que aprendi depois de mais de 80 entrevistas para a os especiaisTV do Canal Arte1
Ao longo deste tempo, construí algo raro: entrevistas exibidas no Canal Arte 1 com os maiores gênios das artes, da cultura e do pensamento. Pessoas que moldam narrativas, que influenciam mercados, que definem tendências.

Chego ao fim de 2025 com uma certeza simples: entrevistar é entrar em território instintivo. Não é só pergunta e resposta. É risco, status, sedução, silêncio.
Entre mais de 80 entrevistas, algumas ficaram gravadas no corpo.
Encerrar 2025 é reconhecer que não entrevistei apenas pessoas.
Entrevisei egos, medos, agentes, câmeras e … a mim mesma.
O QUE ESSAS ENTREVISTAS ME ENSINARAM
Tempo é poder. Quem controla o relógio tenta controlar a narrativa.
Sedução não é charme; é estratégia.
O risco mantém a atenção. Sem risco, não há verdade.
O silêncio fala mais que a pergunta.
Toda entrevista é um jogo de status. Ganhar não é dominar, é sobreviver inteira .

Serena Ucelli – Ai Weiwei , arquiteto, artista plástico, ativista-Veneza
O mais poderoso na sala não era ele. Era “a Agente”
Ela controlava o tempo como quem controla oxigênio: dez minutos.
Eu estava em risco. Se aceitasse aquele limite sem reagir, seria engolida.
“A Agente” tentou interromper. Ele levantou a mão, sem olhar para ela.
Ali o jogo virou.
Eu não tinha mais dez minutos.
Eu tinha a atenção total dele, e isso era poder suficiente para sobreviver ao encontro.

Se estas histórias ficaram, é porque nelas algo estava em jogo.
E é isso que eu continuo buscando quando sento diante de alguém:
o ponto exato onde a conversa deixa de ser segura
e começa a ser real.

Île-de-France, Paris
Ela abriu a porta do magnífico apartamento em Paris, alegre, luminosa, sedutora ao máximo.
Não havia defesa, só carisma.
O perigo estava ao lado.
Porta fechada. O agente gravava tudo para censurar depois.
Cada frase podia ser cortada. Cada riso, enquadrado.
Claudia sentiu a tensão e fez o oposto do esperado:
aproximou-se, baixou a voz, criou intimidade.
Respondeu com verdades vivas, não com frases seguras.
Quando disse algo sincero demais, o silêncio caiu.
A gravação continuou.
Ela sorriu, consciente.
Eu soube: o momento era dela; a batalha viria depois, na edição.
Aprendi que as melhores entrevistas nascem quando se entra em sintonia e se abre espaço para o inesperado. Quando alguém para, sorri e diz:
“Essa pergunta ninguém nunca me fez.”

Foi na casa dele.
Uma conversa de 3 horas com Toni Servillo, o rosto de A Grande Beleza sem filtros, sem pressa e …sem Agente.
Servillo vem do teatro.
E teatro é território de poder ancestral: voz, presença, domínio do tempo.
Napolitano, herdeiro de uma tradição grande, densa, corporal. Quem nasce ali aprende cedo a ocupar espaço e a comandar silêncio.
Esta entrevista não é sobre cinema.
É estar frente a frente com quem sabe sustentar uma máscara e quando tirá-la.

Daniel Libeskind, o grande arquiteto. Arquitetura, para ele, é estratégia:
quem entra, quem sai, quem domina o espaço, quem sente desconforto. Não é conversa.
É acesso ao centro de controle.
Ao mesmo tempo, houve privilégio.
Estar ali era acessar uma pessoa que transformou trauma em linguagem, dor em espaço, memória em arquitetura.
A entrevista não gira em torno de estética.
Gira em torno de origem, trauma, sobrevivência.
Filho de sobreviventes, formado pela música antes da arquitetura, ele pensa espaço como tensão: paredes que cortam, ângulos que ameaçam, vazios que falam. Isso não é conceito, é instinto ancestral transformado em forma.

Escolhi, de propósito, falar apenas de quatro entrevistas.
Não por falta de histórias mas por falta de
espaço .
Em 2026, outras conversas virão à tona.
As pessoas que entrevistei nesses anos são gênios. O que disseram continua valendo, continua vivo. São imortais.

Feliz Ano Novo! ✨
Que 2026 venha com mais encontros deliciosos, boas conversas e caminhos compartilhados.
Meu muito obrigado a todos que assistem aos meus programas, que me acompanham, apoiam e estimulam este trabalho. Um agradecimento especial ao Canal Arte1, aos diretores e a toda a equipe e um agradecimento aos cameramen que me acompanham pelo mundo, com talento, paciência e generosidade.
Seguimos juntos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Libeskind
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oliviero_Toscani
https://pt.wikipedia.org/wiki/Toni_Servillo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Claudia_Cardinale
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sônia_Braga
